'Abin paralela': Carlos Bolsonaro é alvo de busca da Polícia Federal
Atualizado: 30 de jan. de 2024
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (29), nova operação na investigação que mira a atuação da chamada "Abin paralela" - uso ilegal de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência - durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Zero Dois, está entre os alvos da Operação Vigilância Aproximada. Policiais federais estiveram na casa - num condomínio na Barra da Tijuca - e no gabinete dele na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para cumprir mandado judicial de busca e apreensão. Outro local de busca foi a casa de Jair Bolsonaro em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, onde o ex-presidente e seus três filhos mais velhos – o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e Carlos – estavam passando dias de verão. No local, foram apreendidos três computadores. O local entrou na lista de buscas após a PF descobrir que Carlos estava na casa, de onde transmitiu uma live com o pai nesse domingo (28).
Segundo informações da PF, Carlos Bolsonaro é “a principal pessoa da família que recebia informações da Abin paralela”. As investigações indicam ainda que teria partido dele a ideia de criar esse grupo paralelo, para usar a estrutura da agência de Inteligência para espionagem contra autoridades públicas e outras pessoas consideradas adversárias de Jair Bolsonaro.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, também foram encontrados equipamentos que seriam de propriedade da Abin. Neste caso, na casa na casa do militar Giancarlo Gomes Rodrigues, também alvo da operação. O celular de Carlos Bolsonaro também foi apreendido.
Além do próprio Carlos, os alvos da fase da operação desta segunda-feira são pessoas ligadas a ele. Foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, sendo cinco deles na cidade do Rio de Janeiro, um em Angra dos Reis, um em Brasília, um em Formosa (GO) e um em Salvador (BA).
Há mandados para endereços da assessora de Carlos, Luciana Paula Garcia da Silva Almeida - também envolvida no caso das rachadinhas no gabinete do filho Zero Dois do ex-presidente -; da assessora de Alexandre Ramagem, Priscila Pereira e Silva; e do militar do Exército cedido para a Abin na gestão de Ramagem, Giancarlo Gomes Rodrigues.
Na última quinta-feira (25), o chefe da agência de inteligência no governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, teve seis celulares e dois notebooks apreendidos, mas os mandados desta segunda miram o "núcleo político" de Ramagem – aliados dele na época da Abin e no atual mandato como deputado federal.
Segundo a PF, no caso de equipamentos ou evidências do uso da Abin, "os investigados podem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei".
Ainda segundo a apuração, além das suspeitas relacionadas ao vereador, as investigações da PF indicam que a Abin teria sido usada para beneficiar outros dois filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Renan.
Carlos Bolsonaro é vereador desde 2001 e está em seu sexto mandato consecutivo na Câmara Municipal do Rio. Ele foi apontado pelo ex-braço-direito de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, como chefe do chamado gabinete do ódio, uma estrutura paralela montada no Palácio do Planalto para atacar adversários e instituições e fomentar um golpe contra a democracia.
Com informações da Agência Brasil e do g1
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